Arqueologia do Tapajós
Os Donos das Pedras Verdes

Ao longo das várzeas e terraços que acompanham o rio Amazonas e ao longo de
seus principais tributários, como o Trombetas e o Tapajós, para falar das áreas
mais conhecidas, grandes sítios de terras pretas guardam vestígios de centenas
de anos de ocupação por sociedades com organização sociopolítica regional. São
os chamados cacicados das várzeas, descritos como reinos pelos cronistas dos
séculos XVI e XVII, que os conheceram já plenamente desenvolvidos. Sociedades
estratificadas, governadas por chefes regionais que exerciam domínio político e
simbólico por áreas que se estendiam por dezenas de quilômetros em alguns
casos, como a chefatura dos Tapajós, distribuíam-se por regiões tão
diversas ecologicamente como as savanas da ilha de Marajó e
os campos elevados do Acre. Tendo surgido, a maior parte
delas, ao final do primeiro milênio, lograram exercer influência
inclusive sobre povoações mais autônomas e afastadas (como
mostram as pesquisas da arqueóloga Denise Gomes, por
exemplo, em sítio localizados a 100km ao sul de Santarém). Os
cacicados amazônicos mantinham redes de intercâmbio
supra-regional, que integravam mercados onde se trocavam
matérias-primas e produtos manufaturados, dentre eles
machados e adornos líticos, sendo especialmente valorizados
os adornos de pedras verdes, tidos também como moeda na
aquisição de esposas.

A ARQUEOLOGIA NA REGIÃO DE SANTARÉM

A potencialidade arqueológica da região abrangida pelo município
de Santarém é conhecida da comunidade científica desde o século
XIX, quando se intensificou o povoamento da cidade de Santarém e
os achados fortuitos de material arqueológico. A cidade assenta-se
sobre um sítio arqueológico que era habitado, até o século XVII, por
grupos indígenas conhecido como “tapajós”, que deram o nome ao
rio que banha a cidade (Leia
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Sobre
Terra Preta Arqueologica.