Geoglifos do Acre
Na Amazônia ocidental, na bacia do alto rio Purus, são
encontrados sítios arqueológicos compostos por valetas
formando figuras gemétricas, sobre uma imensa região que
vai das proximidades da fronteira com a Bolívia – sobre
altitudes de 100 a 200m – até a várzea amazônica, na
confluência dos rios Acre e Purus, estendendo-se a leste
sobre a Bolívia e atingindo o oeste de Rondônia.

Os geoglifos,assim batizados por
Alceu Ranzi, geógrafo e
paleontólogo que promoveu sua divulgação, são percebidos
melhor do alto, devido às suas grandes dimensões
(diâmetros vão de 70 a 380m). Esses parecem ter sido locais
de encontro, de realização de cerimônias ou ainda centros de
intercâmbio, tendo em vista a baixa densidade de vestígios
(cerâmica, lítico, carvão) na maioria deles.

Por enquanto, cerca de 200 dessas estruturas foram
encontradas, a maioria delas na forma de círculos perfeitos
ou retângulos, havendo também figuras com vários lados ou
ainda compostas de mais de uma forma geométrica. Ao que
parece, um mesmo tipo de comportamento e significados
simbólicos acompanhavam todas essas construções, o que
sugere a disseminação de uma mesma cultura,
provavelmente característica de grupos com organização
regional. A descoberta dos geoglifos em região de terra firme,
por sua vez, teve o mérito de colocar em cheque a idéia de
que sociedades densas e complexas eram prerrogativa de
ambientes de várzea o que, de qualquer forma, já tinha sido
questionado por Michael Heckenberger a partir de seus
estudos no alto Xingu.

Fotos de Edison Caetano.
Círculo Duplo, Plácido de Castro