Arqueologia do Marajó
Sociedades Marajoara (400-1300 d.C.)
Os primeiros cacicados amazônicos surgem na ilha de Marajó, onde técnicas
de manejo de rios e lagos – com a construção de barragens e escavação de
viveiros de peixes – buscavam maximizar a pesca em áreas onde inundações
periódicas transformavam os campos em locais extremamente propícios para
a piracema. Como resultado dessas obras de terra, foram construídas
gigantescas plataformas de terra (chamados localmente de tesos) de até 12
m de altura e 3 hectares de área para moradia das elites que controlavam os
sistemas hidráulicos. Nesses locais, os nobres sepultavam seus mortos em
belas urnas funerárias, decoradas com motivos clânicos pintados, excisos e
incisos, produzindo uma das mais sofisticadas tradições ceramistas das
Américas.



três mil habitantes) cuja economia política baseava-se sobretudo na capacidade dos chefes e pajés
Os cacicados marajoaras eram comunidades regionais pequenas (provavelmente de até dois ou de
garantirem fartura de alimentos e objetos de prestígio obtidos por meio das redes de trocas com
outras elites amazônicas. Tendo persistido por cerca de 900 anos, os cacicados marajoaras
certamente influenciaram outros desenvolvimentos culturais na região. Exemplo disso são os
sepultamentos encontrados no sítio ilha de Terra, na bacia de Caxiuanã, ao sul do Marajó, onde a
decoração excisa e incisa em urnas lembra os motivos marajoaras. Um dos sepultamentos foi
datado em 1050±50AP pela arqueóloga Alicia Coirolo.
Teso dos
Bichos,
escavado por
Anna
Roosevelt.
Escavação de urna funerária. teso Belém
|
Urna funerária