TPA - Terra Preta Arqueológica
Historical and sociocultural origins of Amazonian Dark Earths. By Eduardo Neves, James
Petersen, Robert Bartone, and Carlos Augusto da SIlva. In: J. Lehmann, et al. (eds.), Amazonian
Dark Earths: Origin, Properties, Management, 29-50. Kluwer Academic Publishers. Printed in the
Netherlands.2003.

Historical Ecology and Future Explorations. By Clark Erickson. In: J. Lehmann, et al. (eds.),
Amazonian Dark Earths: Origin, Properties, Management, 455-500. Kluwer Academic Publishers.
Printed in the Netherlands, 2003.
Estudos em sítios com TPA na Amazônia têm demonstrado que esses solos concentram elementos
químicos como P, Ca, Mg, Zn e Mn em valores bastante elevados em relação aos solos originais,
além de possuírem pH elevado e altas concentrações de matéria orgânica, o que os tornam
especialmente férteis (Kern & Kampf 1989, Kern et al. 1999, McCann et.al. 2000). Esses elementos
químicos foram possivelmente adicionados ao solo através da degradação de matéria orgânica
relacionada à presença por populações humanas e suas atividades de descarte (Eidt 1985, Woods
& McCann 1999, McCann et.al.2000, Kern et al. 1999). Os altos valores de P, Ca e Mg nas TPA’s,
podem ser atribuídos aos resíduos de origem animal (ossos, conchas, sangue, carapaças, fezes,
etc) enquanto que resíduos de origem vegetal (palmeiras usadas na cobertura e paredes de casas,
na confecção de camas, redes, balaios, cestos, esteiras para dormir ou sentar) adicionariam ao
solo elementos como Zn e Mn.

A criação das terras pretas parece ter sido um fenômeno não intencional, geralmente entendido
como conseqüência do crescimento populacional (mais gente descartando maior quantidade de
restos orgânicos). Entretanto, sítios densos em vestígios são também encontrados durante o
Formativo, onde a quantidade de cerâmica não está diretamente relacionada ao desenvolvimento de
solos escuros (Schaan et al. 2009). Por isso, é provável que o aparecimento das terras pretas esteja
relacionado a uma mudança qualitativa nos padrões de subsistência. Uma explicação possível
seria de que a exploração intensiva de peixe, com maior descarte desse tipo de alimento tanto
durante o consumo quanto durante o processamento de peixe seco ou farinha de peixe para
estocagem teria provocado tais mudanças no solo. De qualquer maneira, as grandes extensões de
terra preta teriam relação também com os padrões de descarte. Em sítios onde existe a limpeza
constante das áreas das casas ou praças centrais há pouco acúmulo de vestígios e, portanto, é
menor a formação de terras pretas (Rebellato 2007, Schaan et al. 2009).

Ao longo das várzeas e terraços que acompanham o rio Amazonas e ao longo de seus principais
tributários, como o Trombetas e o Tapajós, para falar das áreas mais conhecidas, grandes sítios de
terras pretas guardam vestígios de centenas de anos de ocupação por sociedades com
organização sociopolítica regional.