Por volta de 400 A.D., os primeiros cacicados complexos da Amazônia
aparecem sobre as planícies alagadas da Ilha de Marajó, localizada no delta do
rio Amazonas.  Por cerca de 1.000 anos, aquelas sociedades ocuparam um
ambiente caracterizado por uma alternância dramática entre enchente e seca.
Construindo aterros, canais e diques, os povos Marajoara transformaram a
paisagem e otimizaram a coleta e produção de alimentos, obtendo recursos em
quantidade suficiente para crescer em população e complexidade social.  

A cerâmica Marajoara é considerada uma das mais bonitas e sofisticadas das
Américas.  Seus desenhos labirínticos e repetitivos podem ser entendidos como
uma linguagem iconográfica, que comunicava sobre a ordem das coisas, das
relações entre humanos e animais e sobre papéis sociais, gênero e status.
Patrick e Cristiane escavam uma urna
funerária no aterro Belém, alto rio
Anajás, novembro de 2002.
deniseschaan@marajoara.com