Crimes contra o Patrimônio Arqueológico na Ilha de Marajó
O Sítio de Joanes, no Município de
Salvaterra se caracteriza pela presença de
ruínas de uma Missão Religiosa do século
XVII.

Acredite ou não, é um ponto turístico,
promovido pela PARATUR e por empresas
de turismo, apesar de as ruínas estarem
sendo pichadas...
O Sítio de Joanes vem sendo
sistematicamente destruído.  Deveria ser
preservado, estudado, para trazer mais
turistas e divisas ao município.  Trata-se
de mais um exemplo de DESCASO das
autoridades - IPHAN, Governo Estadual e
Prefeitura de Salvaterra!
Como se não bastasse o
abandono do sítio, no ano de
2004 foi construída uma pracinha
EM CIMA do sítio!  Pessoas que
assistiram à passagem das
máquinas disseram que saíram da
terra moedas e prataria do século
XVIII!
No rio Camutins,
uma urna milenar
que servia como
depósito de água é
abandonada junto
com a casa, quando a
família se muda.
Fazenda São Marcos, rio Camutins .
Cerâmica Marajoara é jogada fora como
lixo, dentro de uma canoa velha.
Vasos e urnas
Marajoara  (ao
lado) podem ser
encontrados em
sedes de
fazendas,
colocados
juntamente com
outros objetos,
em geral
acumulando
poeira e
sofrendo risco de
quebrar.
Cena comum na Amazônia. Casas construídas sobre sítios arqueológicos aceleram a
destruição dos depósitos, por causa da erosão .  A foto mostra o terreno sob uma
casa do tipo palafita, construída sobre o aterro Guajará, um dos mais importantes da
cultura Marajoara.   A erosão e o trânsito de animais domésticos reveleram e
quebraram urnas funerárias.
Como Podemos Proteger os Sítios Arqueológicos?

As leis brasileiras com relação à proteção do Patrimônio Arqueológico são muito boas.  Basicamente, tudo o que
estiver no subsolo pertence à União e a escavação desautorizada e retirada de peças arqueológicas são considerados
crimes contra o patrimônio arqueológico.  Na prática, a Amazônia é terra-sem-lei, devido às grandes distâncias, falta de
bons meios de transporte e uma polícia bem equipada e bem paga.  Enquanto a Polícia Federal tem boa vontade mas
não tem meios para fazer cumprir as leis, os criminosos se aproveitam das dificuldades para destruir nossa herança
cultural.

O IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional é o órgão governamental responsável por fornecer
permissão para os arqueólogos que desejam desenvolver uma pesquisa, e de modo geral por gerir o patrimônio
arqueológico.  Assim como outros órgãos da cultura, o IPHAN também não tem funcionários em número suficiente e
com a qualificação necessária para lidar com todos os assuntos que o gerenciamento do patrimônio envolve, que vão
desde análise de projetos de pesquisa até denúncias de destruição de sítios.  Isso sem falar na necessidade de
implementar projetos de educação patrimonial e proteção física dos sítios arqueológicos.

Os sítos arqueológicos podem ser protegidos se as populações que vivem nas suas proximidades estiverem conscientes
da importância da preservação da memória de seus antepassados.  Educação é, a nosso ver, a base de qualquer política
de preservação que se deseje implementar.  Apesar de termos tentado em todos os nossos projetos levar informações
às populações locais, dando palestras, levando as pessoas aos sítios e mostrando todos os passos do trabalho de
escavação, não temos tido sucesso.  As pessoas locais ainda irão desenterrar objetos e vendê-los se não tiverem outra
forma de geração de renda.  A solução para o problema seria integrar o patrimônio arqueológico a projetos maiores
que aspirem o desenvolvimento sustentável das comunidades.  Arqueologia, como vem sendo feito em outros países,
pode atrair turistas e tornar as populações locais orgulhosas de sua herança cultural.  Este tipo de atividade não só
protegeria os sítios arqueológicos, mas, em última instância, traria emprego e dignidade aos povos amazônicos.