Linguagem Visual
Anthropólogos acreditam que a arte pré-histórica era usada para comunicar idéias, crenças, filiação social, mitologias e cosmologias. A decoração dos objetos teria tido um papel social importante, veiculando informação. Nestes contextos, a arte pré-histórica pode ser vista como um tipo de linguagem. Em vez de ser verbalizada ou escrita, a arte pré-histórica é essencialmente uma linguagem visual.
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A arte Marajoara é conhecida por sua cerâmica, apesar do fato de que as populações amazônicas devem ter usado outros materiais, tais como madeira, ossos e fibras para expressar suas idéias artisticamente. Estas idéias se tornam visuais através de desenhos geométricos que lembram a fauna local. Animais como serpentes, lagartos, jacarés, escorpiões, e tartarugas são representados através de espirais, triângulos, retângulos, círculos concêntricos e ondas, entre outros signos, utilizando-se de técnicas variadas. O estudo destes ícones e o seu lugar no conjunto da representação permite a identificação dos temas zoomórficos, possivelmente seres sobrenaturais ou mitológicos. Denise Schaan caracteriza esses desenhos como uma linguagem iconográfica.
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Iconografia e Rituais
Por volta do ano 400 depois de Cristo, sociedades hierárquicas e regionais
emergiram na Ilha de Marajó. Sob o domínio dos caciques, a nova forma de
organização social passou a ser legitimada por rituais, durante os quais os pajés
faziam a ponte entre o mundo terreno e aquele dos espíritos e dos antepassados.
Por essa ponte transitavam símbolos e imagens freqüentemente concebidos durante
transes alucinógenos. Nascia a arte Marajoara
Muitas das estatuetas Marajoara foram encontradas sem a cabeça, e diversas cabeças foram encontradas sem corpos. Schaan sugere que elas podem ter sido quebradas como parte de algum tipo de ritual.
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A sociedade Marajoara e sua cultura desapareceram nas primeiras décadas da
dominação européia, pois aquelas populações não resistiram às doenças, guerras e
missionização. No entanto, deixaram-nos como legado sua cerâmica e os antigos
aterros onde moravam, realizavam suas cerimônias e enterravam seus mortos.
Graças ao uso da cerâmica nos rituais funerários, sua arte sobreviveu até nossos
dias. Não por acaso, sua atualidade se mantém porque veicula uma cosmologia
construída sobre um tempo circular, que, assim como seus desenhos, nos ensina
que o começo está sempre irremediavelmente ligado ao fim - este sim, nada além
de um ponto de partida.

O imaginário coletivo tornava-se visual na forma de desenhos que nos
lembram labirintos, espirais, triângulos, círculos, retângulos, tridentes e
faces. Com temática estreitamente relacionada à fauna local, os desenhos
na cerâmica se constituíam em uma linguagem iconográfica, onde seres
míticos eram representados de uma maneira lógica, coerente e
harmoniosa, independente de técnicas, formas e superfícies. A vivência
coletiva legitimava uma arte que nascia da necessidade de se visualizar e
comunicar emoções, sentimentos, verdades, tradição, posições sociais,
história. Como em qualquer sociedade que não conhece a escrita, tal arte
teria a função de armazenar e socializar conhecimento.